Descrição do Risco
O risco de incêndio florestal/ rural tem vindo a assumir uma importância cada vez mais crescente no planeamento e ordenamento do território tendo sido reforçados pela obrigatoriedade de elaboração de um plano municipal de defesa da floresta contra incêndios (PMDFCI e do POM) onde a delimitação das áreas que apresentam maior risco constituem um dos cartogramas obrigatórios.
Carta de Risco
CARTA DE PERIGOSIDADE
CARTA DE VULNERABILIDADE
Metodologia e variáveis utilizadas
Foi adoptada a metodologia apresentada no Guia Metodológico para a elaboração dos PMDFCI (Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios) disponibilizado pela Direcção-Geral de Recursos Florestais (DGRF) em 2007. As variáveis utilizadas para os diferentes cartogramas intermédios foram as seguintes (Figura 7):

METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE
Segundo a metodologia apresentada pela DGRF (2007), a “perigosidade é o produto da probabilidade e da susceptibilidade”. Relativamente à probabilidade traduz-se na “verosimilhança de ocorrência anual de um incêndio em determinado local” (DGRF, 2007). Quanto à susceptibilidade “expressa as condições que esse território apresenta para a ocorrência e potencial de um fenómeno danoso”. Como tal, as variáveis utilizadas são as que a seguir se listam.
Incêndios florestais – é a única variável a integrar na carta de probabilidade. Corresponde à percentagem média anualz de ocorrência de incêndios florestais. Nas áreas onde não se verificaram incêndios, e consequentemente a probabilidade é nula, foi atribuída a ponderação de 1;
Ocupação do solo (susceptibilidade) – é uma das variáveis mais importantes na definição da perigosidade uma vez que a tipologia de ocupação, tendo em conta aspectos como formações vegetais existentes, sua estrutura e organização no espaço, tem uma influência importante no comportamento de um incêndio;
Declives – à semelhança da ocupação do solo é um dos factores naturais que condiciona fortemente as características de um incêndio uma vez que “quanto mais abrupto for o declive, maior será a velocidade de um fogo ascendente de encosta e o comprimento da sua chama” (Macedo & Sardinha, 1993).
METODOLOGIA PARA A CARTA DE VULNERABILIDADE
Aglomerados populacionais – é o indicador da maior vulnerabilidade humana aos movimentos de vertente. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo estabelecendo ponderações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a ponderação mais elevada;
Edificado – indicador dos edifícios nos concelhos. Aos edifícios de habitação e serviços foi atribuída pontuação máxima e aos edifícios industriais uma pontuação menor, devido à vulnerabilidade humana ser ou poder ser aí mais reduzida.
Vias de comunicação – principalmente rodoviárias, mas também ferroviárias e aeródromos. A cartografia utilizada baseou-se na existente nas cartas militares, escala 1/25.000, formato vectorial de 1995 e informação cedida pelos municípios. A ponderação foi estabelecida de acordo com a hierarquia da rede e para o caso dos locais de aterragem para meios aéreos foi definida uma área de influência de 1.000 metros;
Infra-Estrutura– como indicador dos equipamentos de suporte às actividades humanas, são consideradas as redes (subterrâneas e sub-aéreas) de água, de gás, de electricidade e de telecomunicações. Neste caso, considera-se com valor máximo de vulnerabilidade a movimentos de vertente a rede eléctrica e com valor mínimo a rede de água;
Área agrícola – foram estabelecidas pontuações por tipos de cultivo, tendo como indicador as culturas mais sensíveis aos movimentos de vertente. A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada);
Área florestal – foram estabelecidas pontuações por tipos de floresta, tendo como indicador as árvores mais sensíveis aos movimentos de vertente. A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada).
INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS
As áreas com maior perigo de incêndio (muito elevado e elevado) correspondem aos locais que apresentam maiores declives e cuja ocupação do solo é constituída maioritariamente por incultos.
CONCELHO DE MIRANDELA
No concelho de Mirandela estas áreas encontram-se essencialmente na parte sul correspondendo ao Alto do Vale da Porca (sudoeste da cidade de Mirandela), Alto do Prado do Castelo (fronteira com Macedo de Cavaleiros), serra de Santa Comba, freguesias de Avidagos e Navalho e serra de Valverde.
À semelhança dos outros concelhos, as áreas de maior vulnerabilidade correspondem às manchas de folhosas e aos olivais nas áreas classificadas. Neste concelho destaca-se o facto de grande parte do território apresentar dano potencial alto ao contrário dos outros dois concelhos em estudo. À semelhança dos outros concelhos, a maior parte do território apresenta risco muito baixo a baixo. As áreas de maior risco (muito alto e alto) são bem localizadas: importante mancha no sítio classificado do Romeu (Rede Natura 2000), a Leste e na serra de Santa Comba, a Oeste, havendo ainda manchas isoladas no norte do concelho, em Aguieiras e a sul na serra do Cubo, junto às povoações de Freixeda, Vale de Sancha e Abreiro.
CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS
Em Macedo de Cavaleiros correspondem à serra de Nogueira, Cabeço Gordo na fronteira com Bragança na parte Norte do concelho, nas vertentes da ribeira de Choupica (a Norte de Ferreira) e no Monte de Morais, nas vertentes do rio Azibo e das ribeiras que o alimentam a Sul da albufeira, ribeira do Vale de Moinhos e serra de Bornes.
Por sua vez, as áreas com maior vulnerabilidade correspondem às áreas florestais de folhosas e aos olivais que se localizam em áreas classificadas localizando-se as manchas mais contínuas na parte central do concelho, a Norte de Macedo de Cavaleiros. Conjugando estas duas variáveis verifica-se que a maioria do concelho apresenta risco baixo sendo intercalado por manchas com risco de incêndio elevado a muito elevado. A principal mancha com risco elevado a muito elevado localiza-se no Monte Morais estendendo-se ao longo da vertente da ribeira do Vale de Moinhos. À semelhança da carta de perigosidade, a serra de Bornes também apresenta risco de incêndio florestal elevado a muito elevado. Na parte Norte do concelho, as áreas de maior risco correspondem aos vales dos principais cursos de água ai existentes, estando por vezes próximas de áreas populacionais tais como Bouzende, Murçós, Vilarinho de Agrochão, Vila Nova de Rainha e Lamalonga.
CONCELHO DE BRAGANÇA
No concelho de Bragança corresponde à serra de Montesinho e nas vertentes dos principais cursos de água: rio das Maças, rio Sabor principalmente na parte SE, ribeira dos Veados (na freguesia de Calvelhe) e Cabeço da Espiga (a SW da albufeira de Castanheira). Por sua vez, as áreas com maior vulnerabilidade correspondem às áreas florestais de folhosas e aos olivais que se localizam em aras classificadas tendo mancha mais contínuas na parte Oeste do concelho.
Conjugando estas duas variáveis verifica-se que a maioria do concelho apresenta risco baixo sendo intercalado por manchas com risco de incêndio alto a muito alto. As principais manchas situam-se em grande parte da serra de Montesinho e nas vertentes do rio Sabor e na fronteira com Macedo de Cavaleiros na serra da Nogueira.