Descrição do Risco


Risco sísmico é uma descrição probabilística das consequências para a sociedade da ocorrência de sismos. Assim sendo, uma Carta de Risco Sísmico contempla as áreas onde se espera que possam ocorrer os maiores danos e maior concentração de vítimas face aos sismos potencialmente mais destruidores. Na região de Trás-os-Montes são frequentes os sismos, o que se justifica pela ocorrência de um acidente tectónico regional com actividade relativa, a falha Bragança – Vilariça – Manteigas. Contudo, a maioria desses sismos não são sentidos pelos humanos e aqueles que o são não têm provocado danos materiais a registar. Na verdade, a região transmontana constitui a região do país onde os valores associados à Sismicidade Histórica e Intensidade Sísmica são menores. Isto deve-se ao facto de os sismos com maior intensidade e mais destruidores terem ocorrido, até à data, na região a sudoeste de Portugal, associados à zona de junção entre as placas tectónicas Europeia e Africana, e dos quais o mais conhecido é o terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Carta de Risco

CARTA DE PERIGOSIDADE

CARTA DE VULNERABILIDADE

Metodologia e variáveis utilizadas


A metodologia utilizada para a elaboração da cartografia compreende vários níveis de informação, relacionados com a Sismicidade Histórica, a Intensidade Sísmica e a Actividade Neotectónica para a determinação da Perigosidade e com elementos culturais com susceptibilidade a esses danos, para a determinação da Vulnerabilidade (Figura 10).


METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE


Para a definição da Perigosidade consideram-se as seguintes variáveis:

Sismicidade histórica – registos de ocorrência de sismos com consequências danosas para o Homem e para as actividades humanas. Utilização de dados constantes em catálogos sísmicos de Portugal Continental e no Atlas do Ambiente Digital, mais precisamente, a carta de Sismicidade Histórica, na escala 1/1.000.000;

Intensidade sísmica – registo da intensidade sísmica registada anteriormente na região. Utilização de dados constantes em catálogos sísmicos de Portugal Continental e no Atlas do Ambiente Digital, mais precisamente, a carta de Sismicidade Histórica, na escala 1/1.000.000;

Actividade neotectónica – falhas activas e evidências de tectónica plistocénica-holocénica. Utilização da Carta Neotectónica de Portugal Continental, na escala 1/1.000.000, Instituto Geológico e Mineiro.

METODOLOGIA PARA A CARTA DE VULNERABILIDADE


Para a definição da Vulnerabilidade consideram-se as seguintes variáveis:

Aglomerados populacionais – é o indicador da maior vulnerabilidade humana aos sismos. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo estabelecendo ponderações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a ponderação mais elevada;

Edificado – indicador dos edifícios nos concelhos. Aos edifícios de habitação e serviços foi atribuída pontuação máxima e aos edifícios industriais uma pontuação menor, devido à vulnerabilidade humana ser (ou poder ser) aí mais reduzida.

Infra-estruturas – como indicador dos equipamentos de suporte às actividades humanas, são consideradas as redes (subterrâneas e subaéreas) de água, de gás, de electricidade e de telecomunicações. Neste caso, considera-se com valor máximo de vulnerabilidade a sismos a rede eléctrica e com valor mínimo a rede de água.

INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS


A perigosidade de ocorrência de sismos nos concelhos de Mirandela e Macedo de Cavaleiros é elevada e muito elevada, embora a probabilidade da ocorrência de magnitudes superiores a 6 na escala de Richter seja muito reduzida, tendo em conta a sismicidade histórica verificada na região. Assim sendo, estes valores devem ser encarados como a possibilidade da ocorrência de terramotos com valores de intensidade que não ultrapassam essa fasquia. Os elevados valores de perigosidade definidos para os concelhos de Mirandela (principalmente para o seu sector centro-meridional) e Macedo de Cavaleiros, relacionam-se com a proximidade a falhas activas e com indicadores de sismicidade histórica.

A vulnerabilidade pode ser reduzida, moderada e elevada nos três concelhos. De um modo geral, apresenta-se reduzida por todo o território concelhio, excepto nos aglomerados populacionais, onde cruzam elementos de vulnerabilidade a sismos como a população, o edificado, as vias de comunicação e as principais infraestruturas. Assim sendo, em todas as povoações a vulnerabilidade é moderada, sendo que nas cidades de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança é elevada, devido à maior concentração desses elementos.

CONCELHO DE MIRANDELA


O risco sísmico no concelho de Mirandela é indicador da elevada perigosidade sísmica aí definida. As áreas de maior risco situam-se na cidade de Mirandela (podendo ser muito elevado), embora sectores com risco elevado sejam também definidos na maioria das povoações do concelho. Ao longo das vias de comunicação e nas principais infraestruturas o risco é moderado.

CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS


Os elevados valores de perigosidade definidos para o concelho de Macedo de Cavaleiros relacionam-se com a proximidade a falhas activas. Com efeito, importantes acidentes tectónicos com actividade recente actual cruzam este concelho, como são os casos da falha Bragança – Vilariça – Manteigas e da falha de Morais.

O risco sísmico no concelho de Macedo de Cavaleiros reflecte o cruzamento das variáveis de perigosidade e de vulnerabilidade. As áreas de maior risco situam-se na cidade de Macedo de Cavaleiros, embora sectores com risco elevado sejam também definidos na maioria das povoações do concelho. Nas vias de comunicação e nas principais infraestruturas o risco é moderado.

CONCELHO DE BRAGANÇA


A perigosidade de ocorrência de sismos no concelho de Bragança é maioritariamente elevada. Nalguns locais do concelho a perigosidade sísmica foi definida como moderada, nomeadamente no sector noroeste (Montesinho – Nogueira) e na região de Rio de Onor, precisamente devido aos menores valores de sismicidade histórica. À semelhança dos seus vizinhos, também em Bragança os elevados valores de perigosidade se relacionam com a proximidade a falhas activas. Com efeito, importantes acidentes tectónicos com actividade recente e actual situam-se neste concelho, como é o caso da falha Bragança – Vilariça – Manteigas.

O risco sísmico no concelho de Bragança reflecte bem o cruzamento das variáveis de perigosidade e de vulnerabilidade. As áreas de maior risco situam-se na cidade de Bragança, embora sectores com risco elevado sejam também definidos na maioria das povoações do concelho. Nas vias de comunicação e nas principais infraestruturas o risco é moderado.

FONTES DE INFORMAÇÃO


Carta de Ocupação do Solo de 1990, modificada, Instituto Geográfico Português, 1990;

Carta Geológica de Portugal, escala 1/200.000, Folha 2, em formato vectorial, Instituto Geológico e Mineiro, 2000;

Carta Neotectónica de Portugal Continental, escala 1/1.000.000, Instituto Geológico e Mineiro. Lisboa, 1989;

Atlas Digital do Ambiente, Mapas de Intensidade Sísmica e de Sismicidade Histórica, Instituto do Ambiente, Lisboa;

Contribuição para o Estudo da Sismicidade da Região Oeste da Península Ibérica, Instituto Geofísico do Infante D. Luís, Lisboa, 2001;

Cartas militares em formato vectorial, escala 1/25000, Instituto Geográfico do Exército, 1995;

Periódicos regionais, nomeadamente o Mensageiro de Bragança (1940-2007), Notícias de Mirandela (1957-2007), o Cardo (1982-1996) e Jornal Nordeste (1996-2002).