Descrição do Risco


Uma onda de calor, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), “ocorre quando num intervalo de pelo menos seis dias consecutivos a temperatura máxima diária é superior em 5ºC ao valor médio diário no período de referência” (IM), que corresponde aos dados das normais climatológicas de 1961-1990.

A consequência deste fenómeno térmico extremo tem relação directa no Homem provocando alterações ao nível do seu estado fisiológico. O grupo da população para a qual deverá ser dirigida as acções de sensibilização e prevenção correspondem às pessoas idosas e crianças e pessoas com doenças de coração e vias respiratórias.

Carta de Risco

CARTA DE PERIGOSIDADE

CARTA DE VULNERABILIDADE

Metodologia e variáveis utilizadas


A metodologia utilizada para a definição das áreas com maior risco relativamente a ondas de calor baseou-se em elementos estatísticos (dados climáticos) e cartográficos (Figura 12).


METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE


Para a definição da Perigosidade consideram-se as seguintes variáveis:

Temperaturas máximas diárias – a temperatura é a principal variável na definição das áreas com maior perigosidade. Para este caso específico (ondas de calor) utilizou-se valores de temperatura máxima diária, uma vez que se trata de fenómenos térmicos extremos.

A informação base utilizada para o tratamento estatístico dependeu da quantidade e sequência temporal dos mesmos. Como tal, o período de referência correspondeu aos anos entre 2000 a 2005;

Temperaturas médias diárias do ar – corresponde a uma variável de comparação relativamente à anterior. Uma vez que não se possuía a totalidade dos dados para a produção de um mapa de isolinhas, tendo como base os valores mais actuais, utilizou-se o cartograma do Atlas Digital do Ambiente, mais precisamente, carta de temperaturas médias diárias (valores médios anuais entre 1931-1960) da propriedade do Serviço Meteorológico Nacional (1974)

METODOLOGIA PARA A CARTA DE VULNERABILIDADE


Para a definição da Vulnerabilidade consideram-se as seguintes variáveis:

Aglomerados populacionais – é o indicador da maior vulnerabilidade humana às secas. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo estabelecendo ponderações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a ponderação mais elevada;

Área agrícola – foram estabelecidas pontuações por tipos de cultivo, tendo como indicador as culturas mais sensíveis às secas. A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada);

Área florestal – foram estabelecidas pontuações por tipos de floresta, tendo como indicador as árvores mais sensíveis às secas. A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada);

Património natural – indicador das áreas naturais com protecção instituída, susceptíveis a secas. Delimitação das áreas protegidas com base na cartografia cedida pelos municípios.

INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS

 

CONCELHO DE MIRANDELA


No concelho de Mirandela, de um modo geral, é possível distinguir duas situações de perigosidade: na parte leste do concelho a perigosidade é moderada enquanto na restante área apresenta perigosidade elevada.

Quanto à vulnerabilidade, a cidade de Mirandela apresenta o maior grau (elevado) devido à maior concentração de população. Por sua vez, nas áreas protegidas como o sítio classificado do Romeu apresentam, no geral, vulnerabilidade moderada. Na restante área do concelho, a perigosidade é reduzida.

Quanto ao risco, somente a cidade de Mirandela apresenta risco muito elevado. Os restantes aglomerados populacionais apresentam risco elevado. Será importante realçar que na região da serra de Santa Comba o risco é elevado, o que poderá estar relacionado com a ocorrência de incêndios florestais. O sector sul apresenta-se, maioritariamente, como moderado.

CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS


Os dados climáticos existentes revelam que no concelho de Macedo de Cavaleiros há grau de perigosidade muito elevado na quase totalidade da área territorial quanto à ocorrência de ondas de calor. A nível da vulnerabilidade, a cidade de Macedo de Cavaleiros apresenta o maior grau (elevado) devido à maior concentração de população. Por sua vez, as áreas consideradas como património natural (Azibo e Nogueira) apresentam, no geral, vulnerabilidade moderada. Na restante área do concelho a perigosidade é reduzida.

No concelho de Macedo de Cavaleiros o risco de ondas de calor é moderado, elevado ou muito elevado. Uma vez que o concelho de Macedo de Cavaleiros apresenta perigosidade muito elevada na totalidade do seu território, todas as áreas sociais e a maioria das áreas florestais possuem risco muito elevado. O risco reduzido ou nulo é quase inexistente a nível concelhio.

CONCELHO DE BRAGANÇA


Grande parte do concelho de Bragança apresenta uma perigosidade moderada de ocorrência de ondas de calor. Entre os anos de 2000 e 2005 registou-se o maior número médio de dias em que ocorreu este fenómeno.

A nível da vulnerabilidade, a cidade de Bragança, conjuntamente com algumas aldeias localizadas na área do Parque Natural de Montesinho, apresentam o grau elevado devido à concentração de população. Por sua vez, as áreas consideradas como património natural (Montesinho e Nogueira) apresentam, no geral, vulnerabilidade moderada. Na restante área do concelho, a perigosidade é na sua maioria nula/ reduzida.

Conjugando estas duas variáveis verifica-se que as áreas que apresentam maior risco são as que correspondem às áreas sociais uma vez que é um fenómeno que tem uma influência directa nas actividades humanas. Por sua vez, as áreas classificadas apresentam um risco moderado pelo facto de serem áreas protegidas mas também por terem uma ocupação maioritariamente florestal, apresentando por isso maior probabilidade de ocorrência de incêndios florestais.

FONTES DE INFORMAÇÃO


Carta de ocupação do solo de 1990 modificada, Instituto Geográfico Português, 1990;

Dados climáticos das estações de Mirandela e Macedo de Cavaleiros 2000 a 2006, Direcção-Regional Agricultura Trás-os-Montes;

Dados climáticos da estação de Bragança 2000 a 2006, Instituto de Meteorologia;

Atlas Digital do Ambiente, Temperaturas Médias Diária do Ar, período de 1931 a 1960, Serviço Meteorológico Nacional, 1974;

Cartografia das áreas protegidas e sítios classificados, Instituto de Conservação da Natureza;

Cartografia dos perímetros florestais, Direcção-Geral dos Recursos Florestais.