Descrição do Risco
A velocidade do vento depende do gradiente barométrico, da força de atrito sobre o solo e da densidade do ar. Quanto maior for a diferença de pressão atmosférica, maior será a velocidade do vento. Quanto maior for a força de atrito provocada pelo relevo, edifícios, vegetação, etc., menor será a velocidade do vento. O ar é mais denso à superfície do que em altitude. Assim, a velocidade do vento é maior nas zonas de maior altitude.
Em Portugal, são raras as ocorrências de ventos fortes associados a centros de baixas pressões característicos de outras regiões do globo (furacões, tornados). No entanto, outros tipos de ventos fortes podem ocorrer em qualquer época do ano em Portugal, particularmente durante os meses do Outono e do Inverno, quando mais se fazem sentir, principalmente associados a intensa precipitação.
Na impossibilidade de aferir as áreas mais susceptíveis à ocorrência de ventos fortes, devido à aleatoriedade deste elemento climático e escala de análise que aqui se propõe, a definição da perigosidade tem em conta sobretudo essa relação existente entre os ventos fortes e a possibilidade de ocorrência de precipitação.
Carta de Risco
CARTA DE PERIGOSIDADE
CARTA DE VULNERABILIDADE
Metodologia e variáveis utilizadas
A metodologia utilizada para a elaboração da cartografia compreende vários níveis de informação, relacionados fundamentalmente com aspectos físicos do território, para a determinação da Perigosidade e com elementos culturais e naturais com susceptibilidade a esses danos, para a determinação da Vulnerabilidade (Figura 14).
METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE
Para a definição da Perigosidade consideram-se as seguintes variáveis:
Velocidade do vento – cartografia elaborada com base no mapa de distribuição espacial da velocidade do vento em Portugal Continental, obtido pelo modelo MM5;
Altitude – indicador de áreas com maior probabilidade de ocorrência de ventos, isto é, quanto maior a altitude maior essa probabilidade;
Vertentes e topos expostos – delimitação das áreas mais expostas à circulação regional das massas de ar, nomeadamente das massas provenientes de oeste (circulação atlântica), as mais comuns a nível regional.
METODOLOGIA PARA A CARTA DE VULNERABILIDADE
Para a definição da Vulnerabilidade consideram-se as seguintes variáveis:
Aglomerados populacionais – é o indicador da maior vulnerabilidade humana aos ventos fortes. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo estabelecendo ponderações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a ponderação mais elevada;
Edificado – indicador dos edifícios nos concelhos. Aos edifícios de habitação e serviços foi atribuída pontuação máxima e aos edifícios industriais uma pontuação menor, devido à vulnerabilidade humana ser ou poder ser aí mais reduzida.
Vias de comunicação – principalmente rodoviárias, mas também ferroviárias e aeródromos. A cartografia utilizada baseou-se na existente nas cartas militares, escala 1/25.000, formato vectorial de 1995 e informação cedida pelos municípios. A pontuação foi estabelecida de acordo com a hierarquia da rede e para o caso dos locais de aterragem para meios aéreos foi definida uma área de influência de 1.000 metros;
Infra-estruturas – como indicador dos equipamentos de suporte às actividades humanas, são consideradas as redes (subterrâneas e subaéreas) de água, de gás, de electricidade e de telecomunicações. Neste caso, considera-se com valor máximo de vulnerabilidade a ventos fortes a rede eléctrica e com valor mínimo a rede de água;
Área agrícola – foram estabelecidas pontuações por tipos de cultivo, tendo como indicador as culturas mais sensíveis aos ventos fortes. A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada);
Área florestal – foram estabelecidas pontuações por tipos de floresta, tendo como indicador as árvores mais sensíveis aos ventos fortes. A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada).
INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS
Em todos os concelhos, as áreas de maior vulnerabilidade localizam-se em todos os aglomerados populacionais e ao longo das infra-estruturas que possam ser afectadas pelo efeito da congelação da água, e nos locais onde há passagem de condutas de água a vulnerabilidade é maior.
CONCELHO DE MIRANDELA
Devido à maior parte do concelho de Mirandela se situar no contexto geomorfológico do vale do rio Tua, a maioria do território apresenta perigosidade reduzida de ventos fortes. Nas áreas mais elevadas (sectores norte, ocidental e oriental do concelho) a perigosidade aumenta, sendo moderada. Nas partes mais elevadas da serra de Santa Comba a perigosidade é elevada.
As áreas de maior vulnerabilidade (elevada) a ventos fortes no concelho de Mirandela correspondem ao perímetro urbano da sede do concelho. Nos outros aglomerados populacionais, nas principais vias de comunicação e infra-estruturas de distribuição de energia a vulnerabilidade é moderada. As restantes áreas do concelho apresentam vulnerabilidade reduzida.
O risco de ocorrência de ventos fortes é reduzido na maior parte do concelho de Mirandela. É moderada nos aglomerados populacionais, nas principais vias de comunicação e infra-estruturas de distribuição de energia.
CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS
As áreas que apresentam maior perigosidade de ventos fortes no concelho de Macedo de Cavaleiros correspondem às regiões de maior altitude, nomeadamente, serra da Nogueira e serra de Bornes (perigosidade elevada e muito elevada). Contrariamente, os sectores menos elevados têm perigosidade reduzida (sector sudeste do concelho, no vale do rio Sabor e seus afluentes). Na maioria do concelho, a perigosidade de ventos fortes é moderada.
As áreas de maior vulnerabilidade (moderada) a ventos fortes no concelho de Macedo de Cavaleiros correspondem ao perímetro urbano da sede do concelho bem como às principais vias de comunicação e infra-estruturas de distribuição de energia. As restantes áreas do concelho apresentam vulnerabilidade reduzida ou nula.
O risco de ocorrência de ventos fortes é reduzido (ou nulo) ou moderado na maior parte do concelho.
CONCELHO DE BRAGANÇA
Grande parte da parte oriental do concelho de Bragança encontra-se no nível elevado a muito elevado de perigosidade quanto à ocorrência de ventos fortes. Tal ocorre principalmente devido à importância conferida às variáveis de altitude e de exposição às massas de ar provenientes de oeste. Assim, é nos pontos mais altos das serras de Montesinho e Nogueira que a perigosidade é muito elevada. Nas restantes áreas acima dos 800 metros é elevada e abaixo dessa altitude é moderada.
As áreas de maior vulnerabilidade a ventos fortes no concelho de Bragança correspondem ao perímetro urbano de Bragança bem como às principais vias de comunicação. As restantes áreas do concelho apresentam vulnerabilidade reduzida ou nula.
O risco de ocorrência de ventos fortes no concelho de Bragança é maioritariamente reduzido e moderado.
FONTES DE INFORMAÇÃO
Carta de ocupação do solo de 1990 modificada, Instituto Geográfico Português, 1990;
Dados climáticos das estações de Mirandela e Macedo de Cavaleiros 2000 a 2006, Direcção Regional Agricultura de Trás-os-Montes;
Dados climáticos da estação de Bragança 2000 a 2006, Instituto de Meteorologia;
Mapa de distribuição espacial da velocidade do vento em Portugal Continental, obtido pelo modelo MM5, in Simões T. (2004) Base de Dados do Potencial Energético do Vento em Portugal Continental – Metodologia e Desenvolvimento, Tese de Mestrado, Universidade de Lisboa;
Cartas militares em formato vectorial, escala 1/25.000, Instituto Geográfico do Exército, 1995.