Descrição do Risco
O nevoeiro trata-se de nebulosidade ao nível do solo e afecta as actividades humanas sobretudo quanto à visibilidade e problemas respiratórios, o que pode influenciar outros tipos de risco. As nuvens e o nevoeiro são constituídos por gotículas de água ou cristais de gelo suspensas no ar. O nevoeiro atinge a saturação junto à superfície e faz com que pode ser visto a olho nu mas dificilmente se consegue diferenciar as gotículas existentes. Pela acção da radiação solar o nevoeiro pode ser evaporado para as altas camadas da atmosfera podendo formar nuvens altas.
A formação de nevoeiro está associada quer a situações de precipitação quer a irradiação matinal, sobretudo em vales mais profundos e nas proximidades de cursos de água e albufeiras. Assim sendo, para a definição de áreas de maior incidência de nevoeiro consideram-se variáveis centradas no elemento climático precipitação, bem como em características geomorfológicas regionais, quer ao nível de altitude quer na configuração dos vales principais da região, neste caso do rio Sabor e do rio Tua.
Carta de Risco
CARTA DE PERIGOSIDADE
CARTA DE VULNERABILIDADE
Metodologia e variáveis utilizadas
A metodologia utilizada para a elaboração da cartografia compreende vários níveis de informação, relacionados fundamentalmente com aspectos físicos do território, para a determinação da Perigosidade e com elementos culturais e naturais com susceptibilidade a esses danos, para a determinação da Vulnerabilidade (Figura 16).
METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE
Para a definição da Perigosidade consideram-se as seguintes variáveis:
Precipitação anual (total) – indicador das áreas com maior precipitação bruta. Utilização da cartografia do Atlas do Ambiente Digital, mais precisamente, a carta de precipitação total (valores médios anuais entre 1931-1960) da responsabilidade do Serviço Meteorológico Nacional (1974);
Precipitação anual (número de dias) – indicador das áreas com maior precipitação (intensidade) mas que considera igualmente a sua frequência. Utilização da cartografia do Atlas do Ambiente Digital, mais precisamente, a carta de precipitação total (valores médios anuais entre 1931-1960) da responsabilidade do Serviço Meteorológico Nacional (1974);
Vertentes e topos expostos – delimitação das áreas mais expostas à circulação regional das massas de ar, nomeadamente das massas provenientes de oeste (circulação atlântica), as mais comuns a nível regional.
Fundos de vale e depressões – delimitação das áreas mais susceptíveis à ocorrência de nevoeiro de irradiação e de vertente, de acordo com a cartografia de Nevoeiro e Nebulosidade de Portugal Continental na escala 1/1.000.000;
Cursos de água – indicadores de maior humidade do ar e consequentemente, das áreas onde o nevoeiro terá condições favoráveis para se formar. Foram estabelecidas áreas de influência em redor dos principais cursos de água sendo que à área mais próxima do mesmo foi atribuída a pontuação de 3.
METODOLOGIA PARA A CARTA DE VULNERABILIDADE
Para a definição da Vulnerabilidade consideram-se as seguintes variáveis:
Aglomerados populacionais – é o indicador da maior vulnerabilidade humana aos nevoeiros. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo estabelecendo ponderações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a ponderação mais elevada;
Vias de comunicação – principalmente rodoviárias, mas também ferroviárias e Aeroporto Regional de Bragança. A cartografia utilizada baseou-se na existente nas cartas militares, escala 1/25.000, formato vectorial de 1995 e informação cedida pelos municípios. A pontuação foi estabelecida de acordo com a hierarquia da rede e para o caso dos locais de aterragem para meios aéreos foi definida uma área de influência de 1.000 metros.
INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS
A perigosidade de ocorrência de nevoeiro nos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Bragança apresenta três níveis: reduzido, moderado e elevado.
CONCELHO DE MIRANDELA
A perigosidade elevada localiza-se ao longo do rio Tua e na própria cidade de Mirandela devido à presença de um plano de água neste núcleo populacional e de um açude importante. A vulnerabilidade é reduzida em quase todo o concelho, sendo moderada apenas nos aglomerados populacionais mais importantes, como é o caso da cidade de Mirandela.
O elevado risco de nevoeiros ocorre nos aglomerados populacionais que se situam ao longo do vale dos rios Rabaçal, Tuela, Tua e da ribeira de Carvalhais, enquanto os restantes aglomerados populacionais apresentam risco moderado. No geral, o risco é reduzido em toda a área do concelho, o que reflecte acima de tudo a perigosidade moderada ou reduzida.
CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS
Predomina a perigosidade reduzida e a perigosidade elevada localiza-se apenas nos topos da serra da Nogueira e da serra de Bornes, onde os quantitativos de precipitação são mais elevados que no resto do concelho. A perigosidade moderada corresponde aos topos de alguns relevos existentes no concelho de Macedo de Cavaleiros. A vulnerabilidade é moderada e elevada nas principais vias de comunicação que ligam as diferentes sedes de freguesia, na principal rodovia regional (IP4) e em todo o perímetro urbano de Macedo de Cavaleiros.
As áreas que apresentam maior risco quanto à ocorrência de nevoeiros correspondem às áreas sociais bem como a pequenos sectores de vias de comunicação (IP4). Na cidade de Macedo de Cavaleiros o risco apresenta-se na sua maioria moderado, mas pode também ser elevado, em pequenos sectores. Em todo o território do concelho predomina o risco reduzido de nevoeiros.
CONCELHO DE BRAGANÇA
A maioria do concelho de Bragança apresenta perigosidade moderada de nevoeiros. Nos vales dos principais cursos de água (Sabor e Maçãs), no topo da serra da Nogueira da serra de Montesinho a perigosidade é elevada (muito elevada nos sectores mais elevados). Na parte meridional do concelho a perigosidade é reduzida.
No concelho de Bragança as áreas que apresentam maior risco quanto à ocorrência de nevoeiros são as áreas sociais e vias de comunicação (IP4). Nessas áreas o risco apresenta-se na sua maioria moderado, mas pode também ser elevado, em pequenos sectores. O restante território apresenta risco nulo a reduzido.
FONTES DE INFORMAÇÃO
Carta de ocupação do solo de 1990 modificada, Instituto Geográfico Português, 1990;
Dados climáticos das estações de Mirandela e Macedo de Cavaleiros 2000 a 2006, Direcção-Regional Agricultura Trás-os-Montes;
Dados climáticos da estação de Bragança 2000 a 2006, Instituto de Meteorologia;
Atlas Digital do Ambiente, Precipitação total, período de 1931 a 1960, Serviço Meteorológico Nacional, 1974;
Modelo Digital do Terreno produzida com base nas curvas de nível provenientes das cartas militares, escala 1/25000, em formato vectorial, Instituto Geográfico do Exército, 1995;
Mapas climáticos de Nevoeiro e Nebulosidade de Portugal Continental, escala 1/1.000.000, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de Lisboa, 1985;
Cartas militares em formato vectorial, escala 1/25.000, Instituto Geográfico do Exército, 1995.