Descrição do Risco
Geada é a formação de uma camada de cristais de gelo, geralmente fina, no solo ou na folhagem exposta devido à descida da temperatura da superfície abaixo de 0ºC, associada a um coeficiente de humidade. Dependendo da intensidade e da extensão da geada, o fenómeno pode causar sérios danos na agricultura, queimando a folhagem das plantas, especialmente das hortícolas assim como grandes problemas rodoviários.
Carta de Risco
CARTA DE PERIGOSIDADE
CARTA DE VULNERABILIDADE
Metodologia e variáveis utilizadas
A metodologia utilizada para a definição das áreas com maior de nevões baseou-se em elementos estatísticos (dados climáticos) e cartográficos (Figura 17).
METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE
Para a definição da Perigosidade consideram-se as seguintes variáveis:
Temperaturas mínimas diárias do ar – Contabilização do número de dias com temperaturas mínimas diárias inferiores a 0ºC entre Outubro e Abril. A definição da ponderação a atribuir foi feita com base no facto do maior número de dias, ou seja, o concelho que tivesse registado o maior número dias era lhe atribuída a maior ponderação e vice-versa.
Ocorrências anteriores – a única informação existente para a elaboração desta variável correspondeu aos dados extraídos das normais climatológicas (período de 1961-1990) mais precisamente, ao número de dias com solo coberto de geada. Para tal, utilizaram-se as estações de Bragança, Mirandela e Mogadouro do Instituto de Meteorologia. As ponderações foram estabelecidas de modo semelhante à variável anterior;
Altitude – “pela menor temperatura do ar, menos vapor de água da atmosfera e menos poeiras, facilita a ocorrência de geadas” (Bettencourt, 1980). Para além da altitude, a morfologia condiciona a formação de geadas, isto é, no “fundo de muitos vales é, pois, uma situação muito desfavorável neste aspecto, agravado por se situarem aqui culturas ricas e por vezes sensíveis às geadas” (Feio, 1991).
Humidade relativa – utilização da cartografia do Atlas do Ambiente Digital, mais precisamente, a carta de humidade relativa (valores médios anuais entre 1931-1960) da responsabilidade do Serviço Meteorológico Nacional (1974);
Exposição de vertentes – áreas voltadas para o quadrante norte com maior conservação de neve, em função da menor insolação;
Cursos de água – indicadores de maior humidade do ar consequentemente, áreas onde a geada não terá condições favoráveis para se formar. Foram estabelecidas áreas de influência em redor dos principais cursos de água sendo que à área mais próxima do mesmo foi atribuída a pontuação de 1;
Albufeiras – semelhante aos cursos de água.
METODOLOGIA PARA A CARTA DE VULNERABILIDADE
Para a definição da Vulnerabilidade consideram-se as seguintes variáveis:
Aglomerados populacionais – é o indicador da maior vulnerabilidade humana às geadas. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo estabelecendo ponderações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a ponderação mais elevada;
Vias de comunicação – principalmente rodoviárias, mas também ferroviárias, e aeródromos. A cartografia utilizada baseou-se na existente nas cartas militares, escala 1/25.000, formato vectorial de 1995, e informação cedida pelos municípios. A pontuação foi estabelecida de acordo com a hierarquia da rede e para o caso dos locais de aterragem para meios aéreos foi definida uma área de influência de 1.000 metros;
Áreas agrícolas – foram estabelecidas pontuações por tipos de cultivo, tendo como indicador as culturas mais vulneráveis à presença de geada no solo. A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada).
1. A escolha desta estação para representar o concelho de Macedo de Cavaleiros deve-se ao facto de ser a que se encontra mais próxima do mesmo e com maiores semelhanças climáticas.
INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS
CONCELHO DE MIRANDELA
No concelho de Mirandela, a perigosidade de geadas é sobretudo moderada e elevada. As áreas que apresentam perigosidade moderada localizam-se no vale do rio Tua e no sector ocidental do concelho, junto à serra de Santa Comba. Nas proximidades de Cachão definiu-se perigosidade muito elevada. Contudo, na sua maioria a perigosidade de geadas é elevada em todo o concelho de Mirandela. Por sua vez, a vulnerabilidade é essencialmente reduzida e moderada, sendo que esta última corresponde basicamente às áreas sociais e a áreas agrícolas mais susceptíveis a geadas. São poucas as áreas com vulnerabilidade elevada, não tendo expressão ao nível concelhio.
Quanto ao risco, predomina a classe de risco moderada em todo o concelho nas áreas agrícola e social, sendo poucas – e quase invisíveis a olho nu – as que apresentam risco elevado. Nas áreas do vale do rio Tua e do sector sudoeste do concelho predominam as áreas com risco reduzido (intercalado por manchas com risco moderado) sobretudo devido à menor altitude.
CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS
Em Macedo de Cavaleiros, a perigosidade de geadas pode ser moderada, elevada e muito elevada, esta última circunscrita a uma pequena mancha no sector noroeste do concelho, enquanto que as áreas com perigosidade moderada localizam-se em duas manchas principais, nas partes central e setentrional do concelho. Contudo, na sua maioria a perigosidade de geadas é elevada em todo o concelho. A vulnerabilidade é predominantemente reduzida e moderada nas áreas sociais e agrícolas mais susceptíveis a geadas.
O risco de geada é moderado no concelho, tendo especial incidência nas áreas agrícolas e sociais.
CONCELHO DE BRAGANÇA
No concelho de Bragança predomina, maioritariamente, as áreas com grau de perigo elevado a muito elevado. As de perigosidade mais elevada correspondem às vertentes expostas a norte em áreas de maior altitude, nomeadamente na serra de Montesinho e nas vertentes sombrias dos principais cursos de água (rio Sabor, ribeira do Penacal, entre outras).
Por sua vez, ao nível da vulnerabilidade predomina a perigosidade reduzida a moderada sendo que esta última corresponde fundamentalmente às áreas sociais e a áreas agrícolas mais susceptíveis a geadas.
Quanto ao risco de geada no concelho de Bragança segue a mesma tendência, ou seja, predominância de risco reduzido e moderado, correspondendo estas áreas às principais vias de comunicação e Aeroporto Regional de Bragança e sua área envolvente.
FONTES DE INFORMAÇÃO
Carta de ocupação do solo de 1990 modificada, Instituto Geográfico Português, 1990;
Dados climáticos das estações de Mirandela e Macedo de Cavaleiros 2000 a 2006, Direcção-Regional Agricultura Trás-os-Montes;
Dados climáticos da estação de Bragança 2000 a 2006, Instituto de Meteorologia;
Atlas Digital do Ambiente, Humidade relativa, período de 1931 a 1960, Serviço Meteorológico Nacional, 1974;
Modelo Digital do Terreno produzida com base nas curvas de nível provenientes das cartas militares, escala 1/25.000, em formato vectorial, Instituto Geográfico do Exército, 1995;
Cartas militares em formato vectorial, escala 1/25000, Instituto Geográfico do Exército, 1995.