Descrição do Risco
As trovoadas ocorrem com o movimento de ascensão e descida do ar que caracteriza o desenvolvimento de uma tempestade, juntamente com o próprio movimento das gotículas de água e cristais de gelo. Estes processos afectam a distribuição das cargas eléctricas de sinal contrário promovendo a sua separação. Quando as cargas positivas e negativas entram em contacto ocorre o relâmpago, numa duração de cerca de 20 centésimos de segundo, os quais podem provocar danos muito elevados.
O fenómeno climático das trovoadas é muito aleatório a nível territorial e também por isso existem poucos dados relativos a este elemento. Contudo, como surgem habitualmente associadas a estados de tempo chuvoso (nuvens de desenvolvimento vertical, com grande instabilidade atmosférica), para a definição da possibilidade de ocorrência de trovoadas são consideradas variáveis essencialmente relacionadas com a precipitação e a sua perigosidade. A esse propósito, em termos de nomenclatura, com a definição do risco de Trovoadas pretende-se principalmente definir o risco de tempestades, com tudo o que estas encerram (incluindo precipitações violentas, ventos fortes e os estragos que podem provocar).
Carta de Risco
CARTA DE PERIGOSIDADE
CARTA DE VULNERABILIDADE
Metodologia e variáveis utilizadas
A metodologia utilizada para a elaboração da cartografia compreende vários níveis de informação, relacionados fundamentalmente com aspectos climáticos, para a determinação da Perigosidade e com elementos culturais e naturais com susceptibilidade aos efeitos negativos das trovoadas, para a determinação da Vulnerabilidade (Figura 18).
METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE
Para a definição da Perigosidade consideram-se as seguintes variáveis:
Precipitação anual (total) – indicador das áreas com maior precipitação bruta. Utilização da cartografia do Atlas do Ambiente Digital, mais precisamente, a carta de precipitação total (valores médios anuais entre 1931-1960) da responsabilidade do Serviço Meteorológico Nacional (1974);
Precipitação anual (número de dias) – indicador das áreas com maior precipitação (intensidade) mas que considera igualmente a sua frequência. Utilização da cartografia do Atlas do Ambiente Digital, mais precisamente, a carta de precipitação total (valores médios anuais entre 1931-1960) da responsabilidade do Serviço Meteorológico Nacional (1974);
Altitude – indicador de áreas com maior probabilidade de ocorrência de trovoadas, isto é, quanto maior a altitude maior essa probabilidade;
Vertentes e topos expostos – delimitação das áreas mais expostas à circulação regional das massas de ar, nomeadamente das massas provenientes de oeste (circulação atlântica), as mais comuns a nível regional.
METODOLOGIA PARA A CARTA DE VULNERABILIDADE
Para a definição da Vulnerabilidade consideram-se as seguintes variáveis:
Aglomerados populacionais – é o indicador da maior vulnerabilidade às tempestades. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo estabelecendo ponderações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a ponderação mais elevada;
Edificado – indicador dos edifícios nos concelhos. Aos edifícios de habitação e serviços foi atribuída pontuação máxima e aos edifícios industriais uma pontuação menor, devido à vulnerabilidade humana ser ou poder ser aí mais reduzida.
Vias de comunicação – principalmente rodoviárias, mas também ferroviárias, e aeródromos. A cartografia utilizada baseou-se na existente nas cartas militares, escala 1/25.000, formato vectorial de 1995 e informação cedida pelos municípios. A pontuação foi estabelecida de acordo com a hierarquia da rede e para o caso dos locais de aterragem para meios aéreos foi definida uma área de influência de 1.000 metros;
Infra-estruturas – como indicador dos equipamentos de suporte às actividades humanas, são consideradas as redes (subterrâneas e subaéreas) de água, de gás, de electricidade e de telecomunicações. Neste caso, considera-se com valor máximo de vulnerabilidade a trovoadas (tempestades) a rede eléctrica e com valor mínimo a rede de água;
O sector envolvente à cidade apresenta perigosidade reduzida de trovoadas (tempestades). Nas áreas de altitude mais elevada (sectores norte, ocidental e oriental do concelho) a perigosidade aumenta, sendo moderada. Os sectores mais elevados da serra de Santa Comba apresentam perigosidade elevada.
As áreas de maior vulnerabilidade a trovoadas correspondem ao perímetro urbano da sede do concelho, onde esta é elevada nalguns sectores. Nos outros aglomerados populacionais, a vulnerabilidade é moderada. As restantes áreas do concelho apresentam vulnerabilidade reduzida.
O risco de ocorrência de trovoadas (tempestades) é reduzido na maior parte do concelho de Mirandela, sendo moderada nos aglomerados populacionais, nas principais vias de comunicação e infra-estruturas de distribuição de energia. foram estabelecidas pontuações por tipos de cultivo, tendo como indicador as culturas mais sensíveis às trovoadas (tempestades). A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada);
Área florestal – foram estabelecidas pontuações por tipos de floresta, tendo como indicador as árvores mais sensíveis às trovoadas (tempestades). A base de referência para o estabelecimento de ponderações foi a carta de ocupação do solo de 1990 (modificada).
INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS
CONCELHO DE MIRANDELA
No concelho de Mirandela, a perigosidade de geadas é sobretudo moderada e elevada. As áreas que apresentam perigosidade moderada localizam-se no vale do rio Tua e no sector ocidental do concelho, junto à serra de Santa Comba. Nas proximidades de Cachão definiu-se perigosidade muito elevada. Contudo, na sua maioria a perigosidade de geadas é elevada em todo o concelho de Mirandela. Por sua vez, a vulnerabilidade é essencialmente reduzida e moderada, sendo que esta última corresponde basicamente às áreas sociais e a áreas agrícolas mais susceptíveis a geadas. São poucas as áreas com vulnerabilidade elevada, não tendo expressão ao nível concelhio.
Quanto ao risco, predomina a classe de risco moderada em todo o concelho nas áreas agrícola e social, sendo poucas – e quase invisíveis a olho nu – as que apresentam risco elevado. Nas áreas do vale do rio Tua e do sector sudoeste do concelho predominam as áreas com risco reduzido (intercalado por manchas com risco moderado) sobretudo devido à menor altitude.
CONCELHO DE MACEDO DE CAVALEIROS
As áreas que apresentam maior perigosidade de trovoadas (tempestades) no concelho de Macedo de Cavaleiros correspondem às regiões de maior altitude, nomeadamente, serra da Nogueira e serra de Bornes (perigosidade elevada e muito elevada). Contrariamente, os sectores menos elevados têm perigosidade reduzida (sector sudeste do concelho, no vale do rio Sabor e seus afluentes). Na maioria do concelho, a perigosidade de trovoadas é moderada.
As áreas de maior vulnerabilidade (moderada) a trovoadas no concelho de Macedo de Cavaleiros correspondem ao perímetro urbano da sede do concelho bem como às principais vias de comunicação e infra-estruturas de distribuição de energia. As restantes áreas do concelho apresentam vulnerabilidade reduzida.
O risco de trovoadas (tempestades) é reduzido ou moderado na maior parte do concelho. No entanto, e embora de pequena dimensão, devido a perigosidade e/ou vulnerabilidade elevadas definidas nalguns sectores existem igualmente pequenos sectores (como na cidade de Macedo de Cavaleiros e na vertente sul da serra da Nogueira) onde o risco pode ser elevado.
CONCELHO DE BRAGANÇA
A maioria do concelho de Bragança apresenta perigosidade elevada de trovoadas, devido essencialmente aos dois factores considerados: precipitação e altitude. No sector ocidental do concelho (serra de Montesinho, Planalto de Espinhosela e serra da Nogueira), a perigosidade é mesmo muito elevada, devido à conjugação dessas variáveis fundamentais e dos quantitativos de precipitação serem mais elevados nestes locais.
Por sua vez, ao nível da vulnerabilidade definem-se os graus de vulnerabilidade reduzida a moderada, sendo que este último corresponde às principais áreas sociais, principalmente à cidade de Bragança (nalguns sectores da cidade a vulnerabilidade é elevada). A restante área do concelho apresenta vulnerabilidade reduzida.
Como resultado da perigosidade e da vulnerabilidade, o risco de trovoadas (tempestades) é moderado na parte ocidental do concelho e na generalidade dos aglomerados populacionais. Pequenos sectores apresentam risco elevado, na cidade de Bragança e nas montanhas. Na restante área do concelho é reduzido.
FONTES DE INFORMAÇÃO
Carta de ocupação do solo de 1990 modificada, Instituto Geográfico Português, 1990;
Dados climáticos das estações de Mirandela e Macedo de Cavaleiros 2000 a 2006, Direcção-Regional Agricultura Trás-os-Montes;
Dados climáticos da estação de Bragança 2000 a 2006, Instituto de Meteorologia;
Modelo Digital do Terreno produzida com base nas curvas de nível provenientes das cartas militares, escala 1/25.000, em formato vectorial, Instituto Geográfico do Exército, 1995;
Cartas militares em formato vectorial, escala 1/25.000, Instituto Geográfico do Exército, 1995.