Descrição do Risco


Os transportes ferroviários são cada vez mais apontados como uma alternativa viável aos transportes terrestres, essencialmente ao nível do transporte de passageiros em distâncias de pequeno e médio curso. Principalmente na primeira metade do século XX, o transporte ferroviário foi de extrema importância na região transmontana (Linha do Tua), sendo também responsável pelo desenvolvimento local de algumas povoações. Durante esse período há a registar alguns acidentes ferroviários, alguns dos quais provocaram vítimas mortais. Dos três concelhos incluídos neste trabalho, a circulação ferroviária acontece actualmente apenas no concelho de Mirandela.

Tal como no caso dos riscos rodoviários e pelas mesmas razões que aí foram apresentadas, para a definição do risco de acidentes ferroviários também não são considerados elementos de vulnerabilidade. De igual forma, o risco de acidentes ferroviários no concelho de Mirandela reflecte unicamente a Perigosidade derivada de elementos externos à própria condução dos veículos ferroviários.

A este nível, são considerados elementos associados às ferrovias existentes no concelho, assim como a perigosidade de alguns elementos climáticos, igualmente analisados no âmbito deste trabalho.

Carta de Risco

CARTA DE PERIGOSIDADE

CARTA DE VULNERABILIDADE

Metodologia e variáveis utilizadas


A metodologia utilizada para a elaboração da cartografia contém vários níveis de informação, relacionados com elementos condicionantes de acidentes ferroviários, para a determinação da Perigosidade (Figura 20).

METODOLOGIA PARA A CARTA DE PERIGOSIDADE


Para a definição da Perigosidade consideram-se as seguintes variáveis:

Ocorrências anteriores – esta variável é muito importante, na medida em que é um indicador das áreas mais críticas no que diz respeito à ocorrência de acidentes ferroviários. Informação obtida através de dados fornecidos pelos municípios e principalmente pela consulta de periódicos;

Cruzamento de vias rodoviárias e ferroviárias – indicador de áreas críticas, de acordo com o tipo de guarda efectuada nas passagens de nível ferroviárias. É atribuída uma distância máxima de 100 metros, de influência nestes cruzamentos;

Estações e apeadeiros – indicador da maior concentração de perigosidade, derivada da presença de pessoas e outros objectos. É atribuída uma distância máxima de 300 metros, de influência nestes elementos;

Atravessamento de localidades – variável que considera a perigosidade derivada da eventual presença de peões e outros objectos na ferrovia. Para tal utilizaram-se as áreas sociais existentes na carta de ocupação do solo modificada estabelecendo-se pontuações diferentes consoante a densidade populacional. Para este caso, às principais cidades atribui-se a pontuação mais elevada;

Vedações na via ferroviária – variável que considera a perigosidade derivada da desprotecção da ferrovia com vedações. Informação obtida através de dados fornecidos pelo município;

Perigosidade de inundações – reclassificação de cartografia de perigosidade elaborada neste trabalho;

Perigosidade de movimentos de vertente – reclassificação de cartografia de perigosidade elaborada neste trabalho.

INTERPRETAÇÂO DOS RESULTADOS


Tal como se referiu anteriormente, neste tipo de risco tecnológico, não sendo considerada a vulnerabilidade, apenas se considerou a perigosidade como indicador do risco de acidentes ferroviários. Deste modo, tratando-se de acidentes que apenas podem ocorrer em vias ferroviárias, foram definidas essas vias como áreas de vulnerabilidade diferenciada, em função das variáveis analisadas.

Como apenas existe via-férrea com actividade no concelho de Mirandela, a análise apenas incidiu neste concelho, mais concretamente entre as povoações de Cachão, situado no limite sul do concelho, e de Carvalhais, situada poucos quilómetros a nordeste de Mirandela.

CONCELHO DE MIRANDELA


No concelho de Mirandela a perigosidade de acidentes ferroviários é, no geral, reduzida, embora seja moderada junto das localidades onde passa a linha-férrea. A pesquisa documental efectuada permitiu constatar uma elevada incidência de acidentes ferroviários na Linha do Tua até à década de 1970. No concelho de Mirandela são de destacar a esse respeito os acidentes ocorridos na passagem de nível de Cerdeiro (igualmente designada de Cedães) a 20 de Junho de 1954 e a 30 de Agosto de 1961. Esta incidência demonstra a importância do tráfego ferroviário de então nesta região (entretanto a Linha do Tua foi desactivada a montante de Carvalhais) e, principalmente, as melhorias que desde então se têm verificado, ao nível da segurança ferroviária.

Assim sendo, as áreas de maior perigosidade (e também de risco) situam-se na cidade de Mirandela e suas proximidades, bem como na localidade de Cachão. Estes valores são indicadores da importância da localização das estações, dos acidentes anteriores e das passagens de nível. Reflecte igualmente a importância conferida à perigosidade de movimentos de vertente e ao facto de apenas o sector a montante de Mirandela ter vedações ao longo da linha.

FONTES DE INFORMAÇÃO


Carta de ocupação do solo de 1990 modificada, Instituto Geográfico Português, 1990;

Cartas militares em formato vectorial, escala 1/25.000, Instituto Geográfico do Exército, 1995;

Periódicos regionais, nomeadamente o Mensageiro de Bragança (1940-2007), Notícias de Mirandela (1957-2007), o Cardo (1982-1996) e Jornal Nordeste (1996-2002).