HISTORIAL DA OCORRÊNCIA DE INCIDENTES

No sentido de dar resposta à elaboração de cartografia de 24 tipos de risco (doze riscos de origem natural e doze do origem tecnológica), a metodologia proposta baseou-se nos conceitos de Perigosidade e de Vulnerabilidade. A Perigosidade diz respeito à probabilidade da ocorrência de um evento que pode pôr em perigo actividades humanas e/ou elementos naturais. A Vulnerabilidade corresponde à maior ou menor sensibilidade/fragilidade desses elementos face à Perigosidade.
A Carta de Perigosidade compreen de assim a probabilidade de ocorrência desses eventos, independentemente da maior ou menor vulnerabilidade actual. A elaboração das duas cartas (Perigosidade e Vulnerabilidade) tem em vista, respectivamente, a representação da probabilidade de ocorrência de incidentes considerando todo o território (aspecto que deve ser tomado em consideração igualmente ao nível do planeamento e ordenamento do território), bem como a localização das actividades humanas, do edificado, das infra-estruturas e dos próprios elementos naturais que se encontram actualmente mais vulneráveis a esses acidentes.
Assim sendo, a metodologia adoptada segue a mesma linha de orientação para todos os tipos de risco, segundo quatro níveis de informação (Figura 6): (i) Dados de Base – informação necessária à avaliação de cada tipo de risco, resultante de cartografia prévia, de informação oral, de pesquisa documental em periódicos e em outras fontes bibliográficas e do levantamento de campo, a qual resultará na Cartografia Intermédia; (ii) Cartografia Intermédia – elaborada com os Dados de Base com vista a estabelecer a Perigosidade e a Vulnerabilidade em cada tipo de Risco; (iii) Cartas de Perigosidade e de Vulnerabilidade e (iv) Carta de Risco – resulta do cruzamento entre as cartas de Perigosidade e de Vulnerabilidade, tratando-se do Risco efectivo para o Homem, as actividades humanas e/ou os elementos naturais do Ambiente.
A elaboração dos mapas baseou-se em operações de análise espacial, usando os programas de software ESRI ArcGis versão 9.1 e ClarkLabs IDRISI versão 15. A informação foi processada no formato raster, com resolução de 25 metros (1 milímetro na escala1/25.000) tendo em vista a sua utilização e cruzamento com outras variáveis.
Exceptuando a cartografia elaborada para o Risco de incêndio florestal, que obedeceu a uma metodologia específica (DGRF, 2007). Para cada variável considerada nos cartogramas de Perigosidade e Vulnerabilidade foram definidas classes de pontuação (de 0 a 3 pontos) da área em análise. Foi igualmente estabelecida uma ponderação (de 1 a 5) para cada variável, tendo em vista a maior ou menor importância na Perigosidade de determinadas ocorrências ou na Vulnerabilidade de determinadas áreas.
Os valores de Perigosidade e de Vulnerabilidade foram assim obtidos pela soma (e respectivas ponderações) dos valores atribuídos na análise espacial, em cada uma das variáveis. As classes foram definidas uniformemente, em função do valor máximo possível para cada área. Assim, se esse valor foi, por exemplo, de 40 pontos, foram definidas 4 classes com 10 pontos cada, correspondendo as mesmas às categorias de “nula ou reduzida” (entre 0 e 10 pontos), “moderada” (entre 10 e 20 pontos), “elevada” (entre 20 e 30 pontos) e “muito elevada” (entre 30 e 40 pontos).
Para a definição das classes de Risco foi igualmente considerado o valor máximo possível resultante da multiplicação da Perigosidade pela Vulnerabilidade. Deste modo, os intervalos das classes de Risco tiveram por base os limites das classes de Perigosidade e de Vulnerabilidade.
Numa situação em que o valor máximo de Risco fosse, por exemplo, de 1.600 pontos, enquanto produto dos valores máximos de Perigosidade e de Vulnerabilidade (40 pontos cada), os intervalos das classes do Risco foram definidos pelo produto dos valores de intervalo das classes de Perigosidade e Vulnerabilidade (100, 400 e 900, em função de 10, 20 e 30, respectivamente).
RISCOS NATURAIS
A elaboração das Cartas de cada um dos tipos de risco aqui abordados é sempre o resultado da fórmula: Risco = Perigosidade x Vulnerabilidade.
As excepções a esta fórmula são os seguintes riscos tecnológicos cujo risco é o resultado da perigosidade: risco de acidentes rodoviários, risco de acidentes ferroviários, risco de acidentes náuticos, e aqueles cujo risco é igual à vulnerabilidade, nomeadamente: risco de segurança de barragens e risco de incêndios urbanos.